março 22, 2011
Na cadeira elétrica
março 06, 2011
Síndrome do corredor da morte
maio 24, 2010
A mensagem que veio da garrafa
março 09, 2010
Alto-mar
dezembro 11, 2009
Cárcere (III)
O espelho de tão claro aponta inclusive as cicatrizes que escondes sob o véu negro que usas.
Coragem, és inteligente o suficiente para perceber que o caminho até tua redenção é árduo e que em cada foco sublimará uma lembrança, como um inimigo em campo de batalha pronto para ser vencido. Tua força deve sair de dentro, teu amor deve ser sólido e tuas mãos quentes e tenras para acarinhar cada verso deste reflexo que insiste em não te ver. Os movimentos que realizas deste lado são tão simétricos aos meus que ao te contemplar me contemplo, criticando tuas dismorfias e escondendo as minhas.
Minha tristeza é tua impaciência, nuvem cheia que percorre pelo teu céu e nos esconde o sol. A vontade que tens de sair é a mesma que eu tenho de ficar, logo, permanecerás em tempestade até a chuva lavar todos os teus argumentos. Enconsta no meu rosto, sente o bradar do meu peito e busca em mim a liberdade que nos falta para perceber a beleza que se forma na duplicidade dos sorrisos e nos movimentos da dança. Teu corpo é música, minha alma fogo. E se me perguntares da chama, digo que é fruto da impossibilidade de cruzares o campo de prata pra te abraçar, transformar e unir nossas cores em um amálgama rubro, conciso, verdadeiro. Tens as cinzas na mão direita e os gravetos na esquerda. Deixa teu orgulho além da cela que te prende e te enxerga em mim.
Os segundos vão passar, o espelho ruirá e o cárcere será cinzas. Das feridas, cicatrizes. Do fim, Fênix.
outubro 16, 2009
Entre copos e cigarros
outubro 14, 2009
Sobre ideologia e inteligência
Ando pensando que a ideologia é um romantismo pessoal. Um querer muito grande, essa vontade que temos de mudar o mundo, de passar para as pessoas o que acreditamos e o que achamos que devemos fazer para que os nossos sonhos mais profundos possam se tornar realidade. Analisando este conceito, alerto que afrontar a ideologia de cada um é, de alguma maneira, afrontar os sentimentos de mudança mais bonitos e mais românticos na opinião intrínseca de cada indivíduo. A ideologia é incorruptível, ideal, perfeita, modela o nosso caráter. E vem muito ao encontro das nossas necessidades e dos nossos desejos. Contudo, a ideologia de todos não é igual à minha; tenho idéias mais libertárias, mais centristas e, por que não, mais esquerdistas. Penso em inúmeras formas de tentar fazer a minha parte e de "plantar a sementinha" da igualdade e da mobilização social no coração de todos, da minha forma.
Mas pensa comigo: qual é a ideologia certa? O que é bom para todos e para o mundo? Será que eu tenho a competência, a excelência e a experiência de dizer o que é certo e o que é errado para todos? Não, de forma alguma. Sei apenas o que é bom ou o que é ruim para mim, especulando o que pode ser bom para o mundo. Quando discutimos com alguém sobre o mundo, mudanças e alternativas que possam servir não só para o bem pessoal, mas para o bem comum (para que possamos viver em paz e comunhão), devemos ser muito cautelosos: muitas vezes acabamos por ferir e por afrontar as ideologias de nossos amigos interlocutores; meu querido, esta é uma falha lamentável. A maioria das pessoas não têm uma visão geral do todo, muito menos a maturidade suficiente para saber separar alguns pontos de vista das suas próprias ideologias. Resultado: não há a reflexão, gerando uma confusão por parte do amigo ouvinte, que mistura alternativa com ideologia. Ele não entende e, no mais profundo ataque romântico, defende sua ideologia como uma leoa defende sua cria antes de analisar o contexto. Muitos dos meus conhecidos que se dizem socialistas (alguns de discussão muito sofrida, diga-se de passagem) pensam na salvação do mundo do capitalismo e da selvageria da desigualdade antes mesmo de pensar em como tentar solucionar problemas pontuais com alternativas mais simples, como por exemplo, tocar os tiranos com uma discussão inteligente e cativante. Fazer a sua parte. Fazer com que eles nos ouçam, nos interpretem. Eles se recusam. Devemos estudar mais, não só os temas pontuais – e dominá-los para que não percamos a razão nos momentos de fraqueza -, mas também o interlocutor, que aqui chamo de adversário, para vencê-lo e convencê-lo. Eu sou da opinião de que discutir antes de conversar não é inteligente, não é sábio; também o fato de alguém não expor suas idéias (para não gastar bala com chimango), muito menos de não aceitar ouvir a opinião de outrem, burrice. A ideologia limita a conversação, muitas vezes. E o que vem a ser isso, preguiça? Intolerância? Hora do exemplo.
Esses dias estive em Brasília em uma audiência pública para tentar recuperar os estágios de férias perdidos pelos estudantes de medicina com a aprovação da nova lei dos estágios. O estágio extra-curricular optativo ajuda a complementar a formação do acadêmico de medicina (interessado) e qualifica a transformação deste em um bom médico, bem aquele que a população e o sistema único precisam. Em função de alguns pontos da lei, os estágios foram fechados pelos hospitais-escola, que se recusaram a pagar o seguro de vida dos estudantes, por exemplo, alegando não ter verba para tal. Os hospitais nos exploram algumas vezes; entretanto, os estágios são cedidos por eles. Claro que deveríamos ter uma formação curricular muito melhor para que o estágio não seja primordial, e sim opcional. Todavia, antes de pensarmos em uma reforma curricular, devemos recuperar os nossos direitos iminentes – neste exemplo os estágios -, negociando com os hospitais-escola e com os representantes dos parlamentares. Mostrar que somos bons, surpreendê-los, seduzi-los, mostrar confiança nos nossos argumentos para que a vitória seja no verbo, convencendo-os sutilmente; não é difícil. O problema é que lá estava um outro estudante que não teve postura ao expor suas idéias de maneira objetiva; o amigo não entendeu o contexto, pois estava pautando o tempo todo a reforma curricular, bem como estava atacando os representantes dos hospitais, subliminarmente chamando-os de exploradores. Te pergunto: se te afronto, terás a mesma sensibilidade em me ouvir do que se eu te tratasse com elegância? Se eu te ofendo, terei a tua confiança? E isso pode ser encaixado em qualquer realidade, em qualquer situação. A ideologia do nosso amigo, ou seja, a vontade que tinha em mudar o mundo e, posteriormente, em julgar os bastardos, obstruiu a sua capacidade de dialogar e de construir algo de bom, de concreto. Não deu alternativas, muito menos construiu resultados. Tentei dialogar com ele, para mostrar alguns pontos de vista sem perder o foco, mas o que ganhei foram afirmativas de cabeça e um e-mail escrito por ele endereçado a todos os estudantes de medicina, ignorando a minha presença na audiência, bem como a nossa conversa.
Lamento o entendimento de alguns de que, para ter inteligência, não se deve ter ideologia. Muito menos não relacionar estas duas variáveis. Ideologia é uma condição inata de todos nós. O problema é que a grande maioria não faz nenhum tipo de reflexão junto às outras ideologias existentes, muito menos tenta analisar o contexto geral, e muito, muito menos, saber como pensa o nosso adversário para que possamos cativá-lo e vencê-lo. Quanto mais inteligência (e aqui coloco todos os tipos de inteligência que o ser humano possui, lembro que inteligência não possui um conceito único), maior a capacidade de reflexão; logo, os conceitos estão diretamente relacionados. Não acredito que existam muitas pessoas com sangue ameno para discussão; todas têm sangue quente e são ávidas por uma discussão rica em fatos de impacto para a contenda.
A rebeldia faz parte deste romantismo; ser romântico, muitas vezes, é ser infantil e estar propenso à não-reflexão e à não-flexibilidade de idéias. Às vezes, precisamos dar um passo para trás para podermos dar dois à frente, como dizia o mestre Lênin; ora entrando em território inimigo para conversar, ora ouvindo mais, deixando as nossas ideologias de lado para entendermos as dos outros. As nossas, bem sabemos, relutam em dar este passo para trás. Que saibamos ter paciência e estratégia para cativar, para fazermos a nossa parte de forma ampla e efetiva.
outubro 02, 2009
Maratona
à nação quoutrora chorou
e hoje brada aos céus e aos ventos
A vitória deste homem (vil)
contra o mundo que o tiraniza
Vamos comer
a carne dos doentes
Vamos beber
o suor dos operários
Vamos dançar
a marcha dos encarcerados
Vamos fornicar
às portas da escola
Não tem mais futuro, sublimado no ofegar
Milhões de pessoas presas a um falso vácuo
Hipnotizados somos, mais uma vez.
"Vestimos agora as peles de quem nos oprime
ao sentarmos junto ao manjar dos eleitos
O chão nunca mais será o nosso derradeiro destino
e o nosso trunfo será o desenvolvimento"
Aqui, o troféu será ouro, prata e bronze.
Cegos e fartos da luxúria que os condenam, esperamos
à montante perspectivas, à jusante negligência.
.
O pódio desta maratona só merece três medalhas
Feijão, Vida e Labor.
setembro 30, 2009
Cântico (à agenesia dantesca)
Objetivo inalcançado
Teclado pifado
Coração apertado
Imbróglio formado
Silêncio procrastinado
Retardo encaminhado
Eu quero é um poemeto falado.
agosto 18, 2009
Serenada
Seja sábio em tuas palavras,
beija-a-flor
Amansa a fera com teu sorriso, tua cor
de primavera. Sem dó
à volúpia ardente que brota em cada pétala
Faz deste momento nossa glória
É verão, lá dentro sem chuva
mas com o sabor molhado da aurora
Adentra na relva seca e sublimai
Já é seca e liquidou o néctar
mas ainda há imaginação nestas mentes
inda há vinho nas taças dos amigos
inda há amor no caminho do vento
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Venta e segue!
Minha versão da poesia construída pelos neovanguardistas Felipe Lins, Danielle Rumi (.quantocustainterrogacao) e Marcos Vinícius Ambrosini Mendonça (.serestainsana). Em ordem de disposição dos versos. Que vivamos para comer mais poesia e cuspir mais boas idéias. Saber pensar vale mais a pena que pensar somente.